Se não fosse pelos riffs de metal brilhantes e o uivo do inferno que vem de Bruce Dickinson, o Iron Maiden poderia facilmente ser confundido com uma banda progressiva. Músicas que atingem durações inaceitáveis para as rádios tradicionais (não aqui na Morcegão FM), assuntos que remontam a séculos atrás com a mesma frequência que oscila para um futuro apocalíptico, a maneira precisa como cada nota é tocada – está tudo lá.

Após uma carreira de quatro décadas repleta de registros épicos nesse sentido, seu 17º álbum, Senjutsu, pode ser um dos mais épicos do Iron Maiden. Certamente está entre os mais pesados, no que se refere a álbuns duplos com uma duração média de oito minutos por música. Acomode-se, porém, porque a jornada pode ser tão difícil quanto longa às vezes.

A bateria que dá o pontapé inicial na faixa-título do álbum, junto com o demônio samurai apresentado na arte de capa, são uma dica para o cenário desta vez. Inspirado pela mitologia oriental e outras iconografias religiosas (nada de novo aqui), o Iron Maiden recomeça de onde parou em The Book of Souls de 2015 e exibe uma abordagem mais primitiva para a música que há muito tempo se tornou uma segunda natureza para eles.

Isso torna o álbum mais excitante e ocasionalmente exaustivo enquanto eles lutam contra as convenções que ajudaram a inventar (“The Writing on the Wall”) e encontram novos ângulos para esculpir do seu agrado (“Lost in a Lost World”). Em alguns aspectos, as canções mais curtas funcionam melhor: “Stratego” e “Days of Future Past”, ambas com menos de cinco minutos, soam enxutas, focadas e diretas em comparação com algumas das faixas mais longas do álbum.

Mas o coração de Senjutsu bate dentro dos épicos progressivos. As últimas três músicas duram mais de 10 minutos cada, todas com composições lentas, duetos de guitarras e o tradicional drama lírico que combinam com a ambição gigantesca da banda. Se soa um tanto familiar – relembrando o passado do Iron Maiden ou o rock progressivo através dos tempos – esse é provavelmente o ponto. O fato de estarem atingindo esse tipo de consistência tão profundamente em sua carreira vale algo. O fato de eles ainda estarem tentando se superar, e quase terem sucesso nisso, deve ser aplaudido calorosamente.